JANELA PARA O CENÁCULO
A iconografia cristã faz parte da cultura oriental
e tem uma importância singular entre os fiéis das Igrejas do Oriente. Não é
simplesmente uma obra de arte, nem tão somente arte sacra, mas o ícone é a
janela inscrita no tempo para dar acesso ao eterno.
O valor do ícone entre os orientais se assemelha
aquele dado aos sacramentos. Presença real e constante, mística e teológica
daquilo que é representação. Por isso veneram-se com tanta piedade os Sagrados
Ícones, e para eles deve haver uma chama – vela, tocha ou luminária -, que
indique presença real.
Tudo isto tem pouco valor entre nós ocidentais, mas
é importante que se aumente a devoção e a piedade pelo Sagrado, que se vale do
Belo para nos alcançar.
A Fraternidade Jesus Salvador devotamente venera
Maria, Mãe de Deus, no título de Nossa Senhora de Pentecostes. Tal inspiração
dada por Deus tocou o coração do Fundador da Obra, Pe. Gilberto Maria Defina,
sjs, como gesto acolhedor da Mãe que caminha desde o início com seus filhinhos.
Procurando a forma ideal de realizar o desejo da
Mãe, Pe. Gilberto, sjs, com o auxílio de Pe. Mario Hugo Scacheri, PIME, faz
contato com um iconógrafo italiano, também do PIME, Pe. Fuvio. Com este contato
a inspiração de Nossa Senhora como Mãe de Pentecostes foi trabalhado na
iconografia bizantina, e em 1997 o ícone é concluído e enviado à São Paulo.
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Tomemos o ícone de Nossa Senhora de Pentecostes:
A realidade aqui representada é o cenáculo onde
poderosamente desceu o Espírito Santo sobre aqueles que ali estavam.
Como ícone é janela do céu, então todo aquele que
olha não vê somente uma gloriosa Maria em postura ascendente, línguas de fogo a
cair e um grupo de pessoas sendo repletas desse Fogo.
Aquele que contempla esse ícone, vê o Pentecostes
acontecendo agora, e a todo momento. É o Sacramento
de Pentecostes, o cenáculo que se atualiza e perpetua.
A iconografia não se
vale de algumas técnicas da pintura, como profundidade, densidade, ou conceitos
tridimensionais. Mas, num único plano o dourado – cor que representa a glória
de Deus e a eternidade –, é quem dá vida, por sua luminosidade, aos elementos
da cena. A glória vem de Deus, eles estão envoltos por Deus, a teofania de
Pentecostes acontece neles: dá a vida.
Maria, elevada e em
destaque, trajando nas vestes a cor da humanidade (azul), e da unção do
Espírito (vermelho), de braços elevados pede constantemente o Esposo sobre a
Igreja reunida consigo. Ela não endossa qualquer vestimenta, lembremos que o
Pe. Fulvio, PIME, é da escola bizantina da iconografia, e por isso dá a Maria
título de nobreza real, com vestes próprias da imperatriz do antigo Império
Bizantino. E, diferente dos apóstolos (seus pés não são representados), calça
sapatilhas de rainha, uma vez que os pobres do Império andavam descalços.
As três estrelas em seu manto possuem duas
prerrogativas: ser mãe, esposa e filha de Deus, e também, ser virgem antes,
durante e depois do parto. Para melhor enriquecer sua dignidade, ladeando seu
rosto podemos ler: Theotókos (Mãe de Deus).
Nossa Senhora não é
daquelas que pede favores, pede por nós o próprio Espírito Santo. E Ele vem!
Os apóstolos trajam vestes de diversas cores, que
nos mostra a diversidade de seus dons e funções. Só podemos identificar nos
Apóstolos ali representados três personagens (segundo as informações do Pe.
Fulvio, PIME): São Pedro, o único de pé, como Chefe da Igreja; São Mateus, com
seu Evangelho na mão (o primeiro dos Evangelhos), e São Paulo no canto inferior
esquerdo, com suas Cartas. Muito embora seja impossível cronologicamente ele
estar presente em Pentecostes, pela graça podemos afirmar que ele também ficou
repleto do Espírito Santo, por isso é incluso pelo iconógrafo junto aos outros
Apóstolos. Podemos nos colocar em cada um dos outros ali representados, por
isso não são identificados. Todos pisam na terra, simbolizando que a Igreja tem
missão no mundo, e não é apenas espiritual, e a ascendência de Nossa Senhora
conota a dimensão suplicante.
A imagem como um todo manifesta a efusão dos dons
que comunicam a graça a cada membro do corpo de Cristo. Sempre que
contemplarmos o “Sacramento de Pentecostes” devemos acreditar que a nossa
espiritualidade tem jeito! E é Deus quem faz. O ícone de Nossa Senhora de
Pentecostes é a janela para a realidade espiritual do servo e da serva de Jesus
Salvador: o Pentecostes.
Hoje a devoção a Nossa Senhora de Pentecostes é
mais conhecida, mas seu significado profundo estará sempre reservado para
aquele que foi eleito no Louvor, o salvista. É próprio da vida salvista cultuar
com especial amor este Sagrado Ícone, e nele mergulhado admirar-se das
maravilhas que o próprio Deus ali imprimiu.
“E todos ficaram
repletos do Espírito Santo.”
Jonathan T. Alves, postulante salvista.

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