sexta-feira, 15 de março de 2013

Sobre o Ícone


JANELA PARA O CENÁCULO

A iconografia cristã faz parte da cultura oriental e tem uma importância singular entre os fiéis das Igrejas do Oriente. Não é simplesmente uma obra de arte, nem tão somente arte sacra, mas o ícone é a janela inscrita no tempo para dar acesso ao eterno.
O valor do ícone entre os orientais se assemelha aquele dado aos sacramentos. Presença real e constante, mística e teológica daquilo que é representação. Por isso veneram-se com tanta piedade os Sagrados Ícones, e para eles deve haver uma chama – vela, tocha ou luminária -, que indique presença real.
Tudo isto tem pouco valor entre nós ocidentais, mas é importante que se aumente a devoção e a piedade pelo Sagrado, que se vale do Belo para nos alcançar.
A Fraternidade Jesus Salvador devotamente venera Maria, Mãe de Deus, no título de Nossa Senhora de Pentecostes. Tal inspiração dada por Deus tocou o coração do Fundador da Obra, Pe. Gilberto Maria Defina, sjs, como gesto acolhedor da Mãe que caminha desde o início com seus filhinhos.
Procurando a forma ideal de realizar o desejo da Mãe, Pe. Gilberto, sjs, com o auxílio de Pe. Mario Hugo Scacheri, PIME, faz contato com um iconógrafo italiano, também do PIME, Pe. Fuvio. Com este contato a inspiração de Nossa Senhora como Mãe de Pentecostes foi trabalhado na iconografia bizantina, e em 1997 o ícone é concluído e enviado à São Paulo.


Tomemos o ícone de Nossa Senhora de Pentecostes:
A realidade aqui representada é o cenáculo onde poderosamente desceu o Espírito Santo sobre aqueles que ali estavam.
Como ícone é janela do céu, então todo aquele que olha não vê somente uma gloriosa Maria em postura ascendente, línguas de fogo a cair e um grupo de pessoas sendo repletas desse Fogo.
Aquele que contempla esse ícone, vê o Pentecostes acontecendo agora, e a todo momento. É o Sacramento de Pentecostes, o cenáculo que se atualiza e perpetua.
A iconografia não se vale de algumas técnicas da pintura, como profundidade, densidade, ou conceitos tridimensionais. Mas, num único plano o dourado – cor que representa a glória de Deus e a eternidade –, é quem dá vida, por sua luminosidade, aos elementos da cena. A glória vem de Deus, eles estão envoltos por Deus, a teofania de Pentecostes acontece neles: dá a vida.

Maria, elevada e em destaque, trajando nas vestes a cor da humanidade (azul), e da unção do Espírito (vermelho), de braços elevados pede constantemente o Esposo sobre a Igreja reunida consigo. Ela não endossa qualquer vestimenta, lembremos que o Pe. Fulvio, PIME, é da escola bizantina da iconografia, e por isso dá a Maria título de nobreza real, com vestes próprias da imperatriz do antigo Império Bizantino. E, diferente dos apóstolos (seus pés não são representados), calça sapatilhas de rainha, uma vez que os pobres do Império andavam descalços.
As três estrelas em seu manto possuem duas prerrogativas: ser mãe, esposa e filha de Deus, e também, ser virgem antes, durante e depois do parto. Para melhor enriquecer sua dignidade, ladeando seu rosto podemos ler: Theotókos (Mãe de Deus). 
Nossa Senhora não é daquelas que pede favores, pede por nós o próprio Espírito Santo. E Ele vem!
Os apóstolos trajam vestes de diversas cores, que nos mostra a diversidade de seus dons e funções. Só podemos identificar nos Apóstolos ali representados três personagens (segundo as informações do Pe. Fulvio, PIME): São Pedro, o único de pé, como Chefe da Igreja; São Mateus, com seu Evangelho na mão (o primeiro dos Evangelhos), e São Paulo no canto inferior esquerdo, com suas Cartas. Muito embora seja impossível cronologicamente ele estar presente em Pentecostes, pela graça podemos afirmar que ele também ficou repleto do Espírito Santo, por isso é incluso pelo iconógrafo junto aos outros Apóstolos. Podemos nos colocar em cada um dos outros ali representados, por isso não são identificados. Todos pisam na terra, simbolizando que a Igreja tem missão no mundo, e não é apenas espiritual, e a ascendência de Nossa Senhora conota a dimensão suplicante.

A imagem como um todo manifesta a efusão dos dons que comunicam a graça a cada membro do corpo de Cristo. Sempre que contemplarmos o “Sacramento de Pentecostes” devemos acreditar que a nossa espiritualidade tem jeito! E é Deus quem faz. O ícone de Nossa Senhora de Pentecostes é a janela para a realidade espiritual do servo e da serva de Jesus Salvador: o Pentecostes.
Hoje a devoção a Nossa Senhora de Pentecostes é mais conhecida, mas seu significado profundo estará sempre reservado para aquele que foi eleito no Louvor, o salvista. É próprio da vida salvista cultuar com especial amor este Sagrado Ícone, e nele mergulhado admirar-se das maravilhas que o próprio Deus ali imprimiu.


 “E todos ficaram repletos do Espírito Santo.”

Jonathan T. Alves, postulante salvista.

sábado, 9 de julho de 2011

Cabeça de João

Aproxima teu peito
incrível, do meu rosto
Quero deitar-me em
ti, que és seguro.
Quero ouvir batendo
no peito, teu coração.
Certeza última da tua
humanidade, consola
minha humanidade.
Ter perto tua mão
segura, que posso segurar
na minha. Ver que
somos feitos do mesmo
                                    [fato.]
Ter perto teu ouvido
atento, que na menor
súplica do meu
medo, dá-me mão,
mãe, céu - carinho seu.
Consola a minha humanidade.
O humano que humaniza e
escandaliza, o amor tíbio
que parte ao encontro teu.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O garoto subiu torto as escadas que davam para um quarto pequeno. Ainda sentia no seu corpo o efeito da droga que quase corria veia-acima, veia-abaixo. Deu sorte de não encontrar os pais em casa. Deu sorte de não se encontrar em si.
Tudo estava misturado no seu peito, mas depois da fina agulha achar uma veia no braço já coalhado de picadas, num tom de roxo e escalarte, nada mais importava.
Importava ter pais que se odiavam? Acaso importava ter professores que dão aula de olhos fixos no seu dinheiro e não em você? Logo não importa também ter sido tocado pela AIDS.
Nenhuma dor te toca quando você não quer. É simples: suma. E Maurício sumiu para dentro de seu univeso.

- Brother, você devia manerar, tua cara tá horrível.
- Tá tudo horrível nessa merda!

Era dia. Eduardo sabia que seu amigo tivara uma noite difícil. Os tempos estavam naturalmente difíceis.
Os dois estudavam juntos, ao menos até Maurício receber o resultado daquele exame. Tudo aconteceu rápido demais: o jovem há alguns anos injetava ((FONTES)) com outros